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Verdade, respeito e amor

Postado em Nordeste2017

Uma longa viagem de bicicleta é uma viagem para dentro do próprio ser. Por natureza recebo o lugar e seus habitantes, com sua cultura e valores.

Depois de algum tempo na estrada a rotina de preparar tudo no dia anterior e acordar cedo para começar a jornada já não tinha complicações e fazia parte do meu ritual. Então, como de costume, acordei cedinho, antes da 5AM, preparei o café e coloquei Tortuga na estrada.

Desde que saí de Icapuí tinha um destino definido, Barra do Cunhaú/RN, seria a última parada no Rio Grande do Norte… Aproximadamente 600kms pela rota que havia traçado com a ajuda de Edu, porém tinha dúvidas em fazer essa rota por ter pouco tempo disponível…

Março 24, 2017

Não foi um dia fácil… Pra falar a verdade foi um dos mais difícieis! Foi o dia em que o vento contra e a chuva quase me impediram de continuar. Mas também foi um dia mágico onde tive a oportunidade de cruzar com uma pessoa que me mostrou que nunca devemos desistir dos nossos sonhos.

Saí de Porto do Mangue/RN com uma dúvida… Ainda não sabia se iria seguir o plano que tinha feito de conhecer a região de Galinhos, Caiçara do Norte, São Miguel do Gostoso, Touros e Rei do Fogo antes de chegar em Natal. Estava adiando essa decisão pois tinha muitas dúvidas se conseguiria passar por essa região devido o prazo que eu tinha pra chegar em casa (estava de férias, não podia simplesmente não voltar). Quando estava na encruzilhada de acesso para Galinhos decidi não entrar (precisaria de pelo menos uma semana a mais se quisesse visitar todos esses lugares com tranquilidade). Essa decisão me fez cruzar o estado do Rio Grande do Norte pelo centro, evitando o litoral, quase uma linha reta em direção a Natal e diminuindo a distância aproximadamente 200kms.

Foi um pedal de 152km onde tudo aconteceu… Sol de rachar, estradas horríveis, vento tão forte que fazia as hélices dos cataventos dos parque heólicos parecem turbinas de avião e chuva (uma tempestade)… Tudo no mesmo dia!! Mas nada era desculpa depois de ter conhecido um senhor de mais de 50 anos chamado Índio (como se apresentou e é conhecido no mundo do ciclismo) que apareceu como uma miragem no meio do nada um pouco antes do meio dia.

Todas nossas ações tem uma consequência imediata e várias outras quem vem depois dessa. A consequência imediata de não ir pra Galinhos foi conhecer Índio… E as outras… As outras são muitas…

Ele simplesmente apareceu do nada em uma bicicleta speed quando faltava 7kms para chegar em Jandaíra/RN (local planejado para o almoço). Aparentemente do nada, no meio da BR-404, surgiu um senhor de bicicleta speed… Passou por mim, gritou alguma coisa que não entendi, fez um sinal e parou. Simplesmente continuei na minha velocidade de tartaruga e gritei pra ele me acompanhar e ir conversando… mas ele passou de novo e pediu pra parar dizendo: “Vim até aqui pra falar contigo”. Então parei!

Ficamos ali mesmo, no acostamento da BR-404, no meio do Rio Grande do Norte, com um sol de rachar e um presságio nada bom de uma tempestade se formando. Conversamos por cerca de 1 hora. Ele me contou sobre sua vida no ciclismo e da luta que foi para conseguir sustentar a família com o esporte. Me falou das várias vezes que fez o trajeto São Paulo/SP - Natal/RN em 20 dias ou menos, deu várias dicas de alimentação e hidratação. E depois de um grande e caloroso abraço nos despedimos…

Novamente devido o limite de tempo que tenho por estar de férias, não posso aceitar o convite para fica na casa de alguém! O senhor Indio me convidou para passar um dia com ele e sua família e expliquei que não podia aceitar, ele entendeu … Agora tenho certeza que a próxima grande viagem em bicicleta não pode ser limitada por algo tão banal … estar aberto e compartilhar de verdade precisa de tempo … e é isso que quero viajando em bicicleta.

Depois de me despedir de Índio e almoçar em Jandaíra tudo mudou. O vento que já vinha me acompanhando a mais de 30kms aumentou junto com o tráfego de veículos pesados. Uma tempestade forte deu o ar da graça, com direito a raios e rajadas de vento que quase me jogavam no chão.

Teve um momento que o vento bateu de lado e a bicicleta simplesmente virou no sentido contrário, não sei como fiquei em cima da bicicleta. O vento bateu do lado, Tortuga virou no sentido contrário e começou a acelerar rapidamente com o vento nas minhas costas. Tive que freiar com tudo e colocar os pés no chão para conseguir parar. Fiquei ali parado de pé no acostamento até a chuva enfraquecer.

Quando a chuva parou o vento deu uma trégua e eu sentei o pé, consegui fazer 11kms em 30 minutos e quando o vento voltou e as ladeiras começaram faltavam só 6km para chegar a João Câmara/RN, meu destino… Aí foi só no amor.

A ideia para amanhã é sair cedo, aproveitar que não tem vento pela manhã e tentar fazer os primeiros 100kms antes da parada para o almoço… Índio me ajudou a montar a rota de amanhã e parece que o pedal será um dos maiores pedais da viagem.

Rota planejada com a ajuda de Índio: JOÃO CÂMARA -> BENTO FERNANDES -> BR-304/RIACHUELO -> SANTA MARIA -> RETA TABAJARA -> MACAÍBA -> PARNAMIRIM -> PIUM -> PIPA -> BARRA DO CUNHAÚ

Março 25, 2017

Vou tentar executar o pedal “planejado” mais longo da viagem até agora, aproximadamente 170kms entre João Câmara e Barra do Cunhaú ambas no RN. Não estou competindo com ninguém nem estou em busca de qualquer marca… isso é parte da minha loucura mesmo! Amo fazer pedais longos e com a oportunidade que estou tendo me sinto no paraíso!!!

Registro do diário:

Somente o céu estrelado da praia de Pipa, que vejo agora, é testemunha do dia maluco que tive hoje.

Saí às 5:20 de manhã de João Câmara com a intenção de rodar 171 kms pela rota que tinha traçado com a ajuda do senhor Índio. Essa rota contemplava uma passagem por Pirangi para visitar o “Maior Cajueiro do Mundo”.

E foi tudo como planejado até lá. Um pouco antes de conhecer o cajueiro encontrei o primeiro restaurante vegano da viagem e me dei um grande almoço de presente.

Aí eu ”MOSQUEI DEMAIS”!!

Me empolguei tanto com o restaurante que nem perguntei o preço e se aceitavam cartão - não aceitavam cartão, eu só tinha 50 reais e não tinha onde sacar dinheiro até Tibau do Sul. Servi um banquete monstruoso e até pedi um suco… Saí de lá com 10 reais após conseguir um desconto no valor total do almoço e uma sobremesa gratuita. Para ver o Cajueiro teria que pagar ingresso e ainda teria que pagar a balsa para cruzar o canal da Lagoa de Guaraíras antes de chegar a Tibau do Sul onde teria um caixa eletrônico (atm).

Sei lá… decidi ir pro Cajueiro mesmo assim… pelo menos ia ver ele por fora!

Cheguei lá com e tive uma surpresa danada! A primeira pessoa com quem eu falei, Sandro, ficou impressionado quando viu a bicicleta e ficamos conversando sobre o incrível cajueiro que estava ali na minha frente e também sobre minha viagem. Sandro é o administrador do parque do Maior Cajueiro do Mundo e fez questão que eu conhecesse o Cajueiro sem pagar. Estava fazendo isso pela felicidade daquela conversa e por eu ter colocado o Cajueiro na rota da viagem de bicicleta.

Foi lindo demais!! O Cajueiro é realmente incrível e gigantesco… Mas também foi lá que começaram os problemas…

A galera que trabalha lá é massa! Muito atenciosa e com as melhores das intenções me “ajudaram” com a rota… Pois conheciam muito bem o caminho que iria fazer (iam pra lá todo o final de semana!! foi o que disseram). Me falaram que não era possível chegar até a balsa com a maré cheia e por esse motivo a balsa não operava na alta da maré. Segundo eles eu deveria fazer uma volta que aumentaria em 80kms a distância se quisesse chegar em Pipa hoje… Mas já tinha pedalado 125kms, o que não era nada animador…

Como não estava a fim de criar problemas maiores e também já estava bastante cansado saí de lá em direção a Tabatinga, onde ia pegar a tal balsa no outro dia se as informações estivessem corretas. No caminho ainda perguntei para algumas pessoas sobre o funcionamento da balsa e elas confirmaram a informação. Mandei uma mensagem para Tati, que vai me receber em Barra do Cunhaú, avisando do acontecido… E ela disse que só pode me receber amanhã, pois teve um imprevisto e está em Natal.

Beleza… Meu plano era encontrar um lugar 0800 (sem pagar) para acampar pois só tinha 10 reais, estava sem comida e ainda precisava pagar pela balsa no outro dia. Encontrei um mercadinho que aceitava cartão e fizeram a gentileza de passar 10 reais a mais e me dar o dinheiro. Saí abastacido em sentido a praia de Barreta, onde ficava a balsa, para tentar dormir por perto e no dia seguinte seguir viagem.

Cheguei na última casa antes do acesso a praia que leva até a balsa, era aproximadamente 4:40PM, depois de ter pedalado 148kms. Perguntei para um morador sobre algum lugar para acampar, expliquei a situação… E!!!! Aquela conexão que só o universo balançante da impermencia é capaz de proporcionar…

Ele é guia turístico e me disse que a balsa funciona até às 6PM todos os dias independente da maré!! Só não tinha transporte até lá na maré cheia “(era essa a informacão que todas pessoas com quem conversei não tinham)”, por isso me falaram que a balsa não funcionava na maré cheia! O lance era conseguir chegar lá. Mas ele disse que mesmo empurrando a bicicleta eu chegava lá em 40min, ou seja, dava tempo. Como eu sei que tem camping em Pipa saí correndo. Para minha surpresa subi na Tortuga e consegui pedalar os 4 primeiros kms, não foi fácil e a velocidade era quase a mesma da caminhada, mesmo assim era melhor que empurrar a bicicleta. Mas no último quilômetro não teve jeito… só empurrando mesmo.

Durante esse tempo o cara que tinha falado comigo passou de moto e disse que ia avisar o pessoal da balsa para me esperar. “Se liga só nisso!!! Não tava acreditando no que acontecia…”

Cheguei lá às 5:30PM e antes de cruzar o rio na última balsa do dia ainda deu tempo pra comer um pão doce que tinha comprado no mercado e descansar um pouco. Cruzei o rio no final do dia com o sol se ponto no horizonte. Quando entrei na estrada para Pipa já estava escuro, mas deu tudo certo!

Pela primeira vez, realmente, vem o pensamento que estou próximo do final dessa caminhada. Daqui uma semana estarei na firma diariamente cumprindo a rotinha que criamos para nos aprisionar… Mas dessa vez é diferente, provei um sabor da vida que desconhecia.

A partir de agora não tenho mais escolhas, encontrei uma forma de ser feliz no caminho inteiro e derrubar as barreiras construídas na mente durante a vida… VERDADE, RESPEITO E AMOR… pra dentro e pra fora, em todos os sentidos.

Quando estou em situação desconfortável é muito fácil deixar os instintos mais baixos falarem alto. Estar fora da zona de conforto é torturante para o ego, nesses momentos é importante manter o foco no bom, no propósito maior e lembrar dos ensinamentos e momentos lindos da vida.

Março 27, 2017

Ontem cheguei em Barra do Cunhaú/RN. A última parada no Rio Grande do Norte. Cheguei na Pousada dos Peixes e fui recebido de braços abertos por Tati e Mavi, amigos do meu amigo Edu Tranquilândia. Eles estavam tomando café da manhã com Cláudia, amiga e vizinha, e me convidaram para participar. Aceitei com felicidade!

Tati é do Rio Grande do Norte e viveu muito tempo fora do Brasil. Mavi é do Rio Grande do Sul e também viveu no exterior muitos anos. Os dois viajaram muito pelo mundo, fizeram muita coisa, conheceram muita gente e se encontraram na Califórnia, hoje estão juntos nesse pedaço de paraíso no Nordeste do Brasil.

Durante os 2 dias que fiquei lá aproveitei para descansar e fazer caminhadas pela praia. A caminhada pelas falésias entre a praia da Barrinha e a praia do Amor é linda, o visual que a natureza proporciona é fascinante. E as falésias… Ahhhh…. As falésias, como é lindo!


Dormi de frente pro mar. Coloquei minha rede no quiosque (que só é utilizado no período de alta temporada) nos fundos, ou frente (depende), da pousada. Uma noite estrelada com vento forte que até fez sentir frio… Mas o astro rei é deslumbrante no amanhecer de Barra do Cunhaú e logo esquentou a vida com seu despertar.


Tati me contou sobre a luta para preservar a Barra do Cunhaú dos diversos crimes ambientais cometidos pelos laboratórios de pescados com apoio dos políticos. A região é área de desova da Tartaruga Marinha e outros animais. Mesmo assim até remoção e movimentação de dunas para instalar tubulações de coleta de água do mar aconteceram aos olhos de todos!!

“Infelizmente o bicho homo inconsciente, que até valoriza o prazer que a natureza pode lhe proporcionar, acredita que não faz parte dessa mesma matéria que lhe dá prazer. Assim o bicho homo inconsciente, na sua tola imaginação, pensa que pode usar tudo, depredar tudo, sujar tudo e se tudo acabar ou morrer… Foda-se! Vamos atrás de outro planeta! Porque para o bicho homo inconsciente só importa aquele momento de prazer pelo qual ele está pagando e por quanto tempo mais ele vai poder pagar para ser “exclusivo”. E a isso dedica toda sua pequena e pobre existência.”

O dia seguinte prometia um lindo pedal pela manhã, já que a maré baixa estava coincidindo com meu horário de saída, às 7hrs da manhã, perfeito! O pedal entre Barra do Cunhaú/RN e Coqueirinho do Norte, na Paraíba, era de aproximadamente 90kms e contemplava a travessia da penúltima fronteira estadual da viagem.

Chegar em Coqueirinho do Norte não foi fácil. Depois do almoço, em Barra de Camaratuba, tomei uma balsa para cruzar o rio e acessar uma região de terras Indígenas, passanfo por várias aldeias e pequenos povoados. A região é linda, mas a estrada é um areião solto e bem fofo nos primeiro 7kms, que sofrimento!!

Após chegar a Baía da Traição/PB, ainda tem mais 10kms, sendo deles 6kms de uma estradinha de terra, para chegar até Coqueirinho do Norte/PB.

Coqueirinho do Norte é uma das praias mais lindas que já conheci, é linda demais!! Um braço do Rio Camaratuba que entra no mar por uma barreira de corais, formando um canal onde o rio escoa até o mar. Os habitantes locais são pescadores descendentes dos habitantes originários da região, Índios Brasileiros do litoral do nordeste.

Senhora Magda, dona da pousada onde estou acampando, contou que 30 famílias vivem aqui, o restante das casas são de passeio das pessoas da cidade. Ela vive aqui a 5 anos, está começando a pousada e tem um mercadinho. Eles receberam uma estrada de piçara e energia elétrica a 6 anos.

Após uma noite tranquila de sono ao som do mar com o céu totalmente estrelado numa lua nova, o dia de descanso começou com um lindo e maravilhoso nascer do sol.

Antes de qualquer atividade fui até a Baia da Traição, 10kms, para comprar mantimentos. O único mercadinho do povoado era o de dona Magna e não tinha muita coisa. Comprei mantimentos para 2 dias. Amanhã é o penúltimo dia de pedal. Um pouco mais de 200km me separam de casa.

Como de costume, nos dias de descanso aproveito para conhecer a região. As caminhadas ajudam a soltar a musculatura, combinadas com sessões de alongamento e muita hidratação (beba água), ajudam na recuperação para encarar dias consecutivos de pedal.

Fui até o rio, conversei com o pescadores e mais adiante com uma senhora que estava catando mariscos para preparar o Sururú. Me mostrou como fazia, disse que cozinha eles na água e depois refoga, segundo ela “fica uma delicia”. Ela me mostrou um marisco pequeno e disse… “Esse eu devolvo pra ele crescer”.

A cena mais inusitada de toda a viagem, até agora, aconteceu hoje no final da tarde. Eu havia passado o dia inteiro na praia e no rio, quando regressei estava tudo em ordem. Havia deixado tudo na barraca fechada e foi super tranquilo… De boas mesmo!

No final do dia, após voltar da praia e antes de jantar, fui fazer a manutenção para colocar Tortuga na estrada amanhã. Logo depois aprovetei para tomar banho… Isso deve ter levado cerca de 40 minutos, no máximo. Eu estava a uns 100 metros da barraca e tinha deixado ela completamente fechada, não tinha como acontecer alguma coisa sem eu ver…

Mas quando estava voltando vejo a barraca se mexendo… Algum bicho lá dentro!!! Logo pensei: “deixei aberto e uma cabra entrou”. Tinha muita cabra solta na praia e as vezes elas até chegavam bem perto. Parei Tortuga na árvore, saí correndo e logo vi que a barraca estava fechada. Carrrraaalha!! O que é isso?? Um GATO!?! Sim, um gatinho do MAL!!

Ele destruiu a barraca toda!! Eu tinha deixado um pão de sal dentro de 3 (três!!) sacolas fechadas com vários nós, mesmo assim ele sentiu o cheiro do pão… Devia estar faminto!! O gatinho abriu um buraco para entrar e não conseguia mais sair. Então ele corria dentro da barraca como se fosse um motoqueiro no globo da morte. Furou a barraca toda, até o teto, só não furou a lona do sobre teto… Assim que abri a porta e ele saiu em disparada. Lindo FDP!!

Baixei acampamento, vou dormir na rede… o gatinho garantiui o jantar das muriçocas!!

Logo cedo pela manhã estava de pé. Tomei um café reforçado e 5:15AM comecei a pedalar. Sabia que iria completar 2000kms. E alcancei eles logo depois do almoço, cerca de 1:15PM. O pedal foi tranquilo e não inventei nada que pudesse criar uma situação inesperada. Como sempre evito cidade grande, contornei João Pessoa, entrei em Conde sentido Tambaba, passando por Jacumã, e Coqueirinho. Cheguei ao camping de Tauí (Tambaba Camping) na metade da tarde. Me instalei e fui caminhar nas falésias e na praia. E esse foi o momento, aos 32 dias de estrada, ali na praia da Arapuca…

GRATIDÃO!


Amanhã tem tudo para ser um pedal tranquilo e dependendo de como for o pedal vou almoçar em algum restaurando vegetariano em Recife, tomar agua de coco e um açaí na casa do Pará… HAHAHAHA…. Planos e expectativas não servem pra nada OTÁRIO!

SE PERMITA, SE LIBERTE!!

Nomade de bicicleta!

Continuar...

Tranquilândia