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Primeira parada: Lençóis Maranhenses!

Postado em Nordeste2017

Viajar com baixo custo permite aproveitar alguns passeios e atrações, pois em vez de usar o dinheiro com hospedagem e transporte uso para conhecer os lugares que chego.

No primeiro dia em Barreirinhas fiz o tradicional/turístico passeio de 4x4 nos lençóis. Assim que cheguei do passeio, no final do dia, não pensei duas vezes… “hoje vou dormir em um local seco”! Pedi uma vassoura emprestada e fui limpar o coreto da praça. Nessa movimentação conheci duas espanholas que estão em intercâmbio universitario em Aracajú, elas também viajam com baixo orçamento (acampando e preparando sua comida). Depois de conversarmos um pouco e eu contar como tinha sido a aventura/dilúvio da noite anterior elas decidiram ir para o coreto também. O que foi muito legal porque além de me sentir mais seguro elas foram uma companhia maravilhosa com a oportunidade de praticar espanhol.

No dia seguinte, após o desayuno elas começaram o caminho de volta pra Aracajú e eu fui atrás de resolver minha vida. Pois antes de ir para Atins, o povoado que é a porta dos lençóis do lado leste do parque nacional, ainda queria resolver os problemas que estava tendo com os bagageiros da Tortuga (minha bicicleta). Foi uma correria danada, mas consegui deixar tudo certo para continuar a viagem tranquilo. Saí correndo da bicicletaria e fui para o cais no centro de Barreirinhas para pegar o barco para Atins. Esse passeio é um pouco caro, mas vale cada centavo, é lindo!

O barco segue o rio Preguiça até o encontro com o mar e pelo caminho faz paradas em Vassouras, Mandacarú e Caburé. São lugares lindos e com uma força muito especial, a natureza ainda se manifesta em abundância mesmo com impacto causado pelos humanos. Infelizmente já é evidente que dentro de pouco tempo esse pedaço do paraíso irá sofrer muito com o ser humano e toda sua capacidade destrutiva na alteração de ambientes.

Em Atins, fiquei hospedado via couchsourfing na casa de Facundo, um argentino que está a mais de 3 anos em Atins, trabalha como guia turístico e possui um hostel nesse paraíso. Enquanto esperava ele chegar em casa conheci uma bióloga mexica que desenvolve trabalho com povos indigenas no méxico e estava indo para Amazônia, uma pessoa incrível, com muito força e de coração aberto pro mundo. Mais tarde conheci outro argentino, amigo de Facundo, instrutor de mergulho e que veio para a Atins a mais de quatro meses por indicação de outro amigo e se apaixonou pelo lugar. Estando aqui é fácil de entender porque isso acontece.

Atins é um povoado que já possui muitos estrangeiros e pessoas do sudeste do Brasil como proprietários dos restaurantes e pousadas. Os moradores originais do povoado estão vendendo suas propriedades em Atins e migrando para um outro povoado, um pouco mais afastado, chamado Santo Amaro.

Montei minha carpa no quintal de Facundo, sob um céu completamente estrelado com a lua crescente linda e misteriosa. Novamente dormi com as muriçocas!!! O que é certo até agora… elas estão em todos os lugares e é praticamente impossível se proteger desse bichinho tão pequeno e frágil. Fico pensando que é mais fácil pedalar 120km com a bicicleta pesando 50kg do que se proteger das muriçocas durante a noite…

O tempo em Atins me permitiu uma reconexão, me trouxe paz e o entendimento de que tudo que planejei não pode ser rígido, não posso simplesmente criar expectativas viajando e vivendo da maneira que me propus. Vou me abrir totalmente e deixar vir o que vier… só assim poderei realmente viver todas as experiências dessa viajem sem ficar irritado ou brigando comigo mesmo. Esse é o mais interessante de viajar sozinho até agora, não tenho com quem reclamar nem brigar quando algo não vai bem… hehehehe.

Voltei para Barreirinhas, peguei a bike, calibrei os pneus, limpei o coreto da praça novamente, fiz a manutenção que faltava na Tortuga e montei acampamento, a chuva da noite é certa e o dilúvio já começou por aqui. Vou fazer um cuscuz pra janta, organizar os alforges pra estar tudo certo para a saída pela amanhã… pois o dia promete ser pesado e com muita lama…

Nomade de bicicleta!

Continuar...

Estrada! é pra isso que vim...