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Estrada! é pra isso que vim...

Postado em Nordeste2017

Estrada! é pra isso que vim…

Nos dias 28 e 29 de fevereiro (2017) continuei na estrada, o primeiro local escolhido para passar alguns dias foi em Barreirinhas/MA, umas das portas de entrada dos belos e místicos Lençóis Maranhenses.

A saída de Morros foi muito tranquila, nada parecida com o primeiro dia. Caminho tranquilo, pessoas sorridentes que cumprimentam (principalmente as crianças), lugares maravilhosos, uma beleza natural harmônica e pacífica. Porém, foi o dia dessa natureza linda me batizar.

No primeiro dia já tinha entendido que precisaria pedalar de calça e camisa comprida devido a “queimada” que tomei nas pernas. Mas dessa vez o sol castigou, o vento contra só vez tudo piorar (mal saiba eu que isso era só um aviso do que vinha pela frente). E quando os dois resolveram dar uma trégua a chuva não perdoou, ela veio contudo. Primeiro uma pancada mais curta (uns 15m), mas muito violenta, tive que parar e esperar passar. A cena dessa cortina de água vinda do céu não vai sair da minha cabeça, foi fantástico e muito forte, pra lavar a alma.

Depois continuei o pedal até Humberto de Campos, a chuva voltou e não foi mais. Até parei num mercadinho na entrada da cidade e fiquei conversando com locais por mais de hora, mas como a chuva só aumentava resolvi seguir orientado por eles e mais algumas pessoas até encontrar uma pousada acessível. Eu queria acampar, mas só ia rolar se fosse na praça da cidade e com aquela chuva e a festa de carnaval na cidade não tive dúvida, entrei na pousada.

Saí de Humberto de Campos por volta das 7horas da manhã. Um dia lindo que novamente se transformou numa panela de pressão, com muito sol, muita chuva, mas com pouco vento contra dessa vez. O que começou a incomodar um pouco foi uma dor agúda nos nos dois joelhos. Tenho certeza que isso está relacionado com o peso da bicicleta (aproximadamente 50kg) e minha empolgação inicial de querer manter uma média de velocidade que tinha idealizado (chegou a hora de acabar com as últimas expectativas e deixar a viagem simplesmente acontecer). Vou descansar alguns dias em Barreirinhas enquanto procuro soluções para a rota. Não tenho certeza se vou conseguir concluir todo o percurso no tempo que tenho disponível. Essa viagem não se trata só de pedalar, tenho o profundo interesse em conhecer a região e principalmente as pessoas, trocar experiências e aprender.

Depois de 190km nos últimos 2 dias, chegar em Barreirinhas foi muito bom. A estrada é linda. Na saída da MA-402 para a MA-225, no Povoado Sobradinho, cruzei o rio Preguiça e comecei a sentir a força viva da natureza se manifestando de uma maneira muito intensa. Todos meus sentidos estão se abrindo.

Como cheguei cedo na cidade, por volta das 3horas da tarde, tive tempo para dar uma volta e conversar com algumas pessoas. Decidi acampar e usar o dinheiro da hospedagem para fazer os passeios nos lençóis e pelo rio. Foi a melhor decisão que poderia ter tomado.

Na primeira noite aprendi que devia ter seguido a orientação das pessoas que me falaram para acampar onde estaria protegido da chuva. Mas pensei, “a barraca aguenta muita chuva, vou dormir do lado do rio!” Esse foi um grande erro, o qual paguei com uma transferência forçada de local do acampamento no meio da noite.

Choveu tanto, mas tanto, que quase fui arrastado para dentro do rio com todas minhas coisas. Logo na primeira pancada, ou melhor, dilúvio, descobri que estava justamente localizado na foz das 4 ruas que se encontravam perto da saída pro rio onde estava acampado. Isso quer dizer, toda a água da chuva dessas ruas chegava no rio através do ‘beco’ onde eu estava. Foi realmente incrível a força da chuva e assim que ela deu uma trégua me apressei para levantar acampamento e mover tudo para um local menos perigoso. Além de toda a água que decia pela ruela o nível do rio também estava subindo devido a cheia da maré (realmente pensei que o rio ia chegar onde a barraca estava). Enfim, nada foi parecido ao sonho maravilhoso que tive no momento que encontrei esse lugar e montei acampamento.

Depois de fazer a mudança no meio da noite abaixo de chuva, estava tudo tranquilo. A chuva apertou novamente, mas agora estava protegido. Porém a chuva espantou para o mesmo lugar um cara muito bêbado que estava falando com ele mesmo… muito, muito loco. Tinha a nítida impressão que ele falava com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, tentei contar e pude identificar uns 5 amigos diferentes, ele também não parava de repetir a palavra ”baguinho”. Ele ficou lá a noite toda! Enfim… não tinha o que fazer, tentei conversar com ele, assustar ele, colocar a lanterna na cara dele pra ver se ele desistia… nada funcionou. Deixei ele falando sozinho e fui tentar dormir. No dia seguinte descobri que ele era famoso na cidade e que todos conheciam ele por “baguinho” (porque será??), felizmente foi a única noite que ele passou comigo.


Passei dois dias em Barrerinhas e depois fui de barco para Atins, um povoado que fica dentro do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Lá fui recebido por Facundo (via couchsurfing), um argentino que já vive a alguns anos por lá.

No próximo post vou falar sobre os dias que fiquei em Atins e a preparação para a segunda parte da viagem.

Nomade de bicicleta!

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Bike na estrada!